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Setembro é o mês em que todo o Brasil se mobiliza para esclarecer e incentivar a população pela doação de órgãos. A campanha Setembro Verde tem o apoio incondicional do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) que, inclusive, tem uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) em funcionamento desde julho deste ano.

O objetivo da CIHDOTT é justamente incentivar o processo de doação. Trata-se de um trabalho de convencimento e esclarecimento com foco nas famílias de vítimas de morte cerebral acerca da importância de conceder os órgãos e tecidos de seu ente falecido para a doação. Para isso, há todo um planejamento estratégico de avaliação, identificação e medidas protetivas que devem ser seguidos.

O objetivo é diminuir a recusa a doação de órgãos por parte das famílias das vítimas. “Para isso, devem ser feitos treinamentos de abordagem dos servidores com os familiares dos pacientes, além de ações educativas”, explica o enfermeiro e coordenador da CIHDOTT-HMAP, Guilherme Ono de Gouvêa.

“Nosso trabalho é muito mais ético que prático. Temos uma legislação a ser seguida, que são as normas técnicas sobre o tema. Há um parecer do Conselho Federal de Medicina que trata de morte encefálica, onde auxiliaremos o médico e cumpriremos os protocolos”, continua Guilherme, que é especialista em Doação, Captação e Transplantes de Órgãos.

O HMAP tem equipe multiprofissional na CIHDOTT, com psicólogos, fisioterapeuta, enfermeiros, médicos e agentes sociais. O trabalho reflete na sociedade. Desde sua criação, a CIHDOTT tem feito uma série de trabalhos e um treinamento sobre o processo de doação, sempre em parceria com a Central de Transplantes do Estado.

 

Goiás em dados

Goiás é referência nacional em operações de transplantes. Apesar disso, os números de doação poderiam ser melhores. Nos primeiros seis meses deste ano, houve 217 notificações de pacientes com morte encefálica aptos a doarem seus órgãos e apenas 39 doações efetivadas. O baixo índice de doações efetivadas é causado, principalmente, pela posição negativa dos familiares (75 casos), seguido por contraindicação clínica (54 casos) e pelo diagnóstico não confirmado de morte encefálica (25 casos). Os dados são da Central Estadual de Transplantes de Goiás.

A partir disso, o foco do trabalho dos agentes de saúde está em esclarecer aos parentes das vítimas acerca da segurança para o paciente e da importância em aceitar a retirada de órgãos da vítima. Entre os órgãos captados, os rins representam mais de 70% do total, com 83 unidades. O fígado vem em segundo lugar, com 22 captações, seguido do coração, com seis captações, e do pâncreas, com duas captações.

A captação de córneas é maior do que os demais órgãos. Foram 59 captações nos primeiros seis meses do ano. Ao contrário do que acontece com a espera por transplante de outros órgãos, o Brasil tem conseguido reduzir a fila de espera por transplante de córneas, com 148 casos de aumento na demanda e 378 transplantes realizados.

A campanha Setembro Verde surgiu para ampliar a visibilidade do Dia Nacional de Doação de Órgãos, cuja data é 27 de setembro.

 

Tire suas dúvidas

O que preciso fazer para ser doador de órgãos?

Para ser doador, no Brasil, você não precisa deixar nada por escrito, em nenhum documento. Muitas pessoas acham que é preciso registrar a opção de doador de órgãos em qualquer documento pessoal, mas isso não é mais necessário. Basta você conversar com sua família sobre seu desejo de ser doador. A doação de órgãos só acontecerá após a autorização da família.

 

Quais os tipos de doadores que existem?

Doador vivo: Qualquer pessoa saudável que concorde com a doação, desde que não prejudique sua própria saúde e seja compatível com a pessoa que vai receber o órgão. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão.

Pela Lei, parentes até quarto grau (pais, filhos, irmãos, avós, netos, tios e primos), além dos cônjuges, podem ser doadores em vida. Para os não parentes, somente com autorização judicial.

 

Doador falecido: São pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano graves ou AVC (derrame cerebral) extenso.

Podem doar órgãos e tecidos, com autorização de parente até 2º grau, sendo grande o número de doadores em morte encefálica cujas doações não acontecem e, consequentemente, muitas pessoas deixam de ser contempladas com tão importante procedimento.

 

Quais os órgãos e tecidos que podem ser obtidos de um doador falecido?

Órgãos: Coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino e rins.
Tecidos: Córneas, vasos sanguíneos, ossos, tendões, pele, medula óssea e válvulas cardíacas.

Portanto, um único doador pode salvar ou melhorar muitas vidas. A retirada dos órgãos e tecidos se realiza em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia.

 

Para quem vão os órgãos?

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em fila única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

Quem irá recebê-los depende de diversos fatores, tais como compatibilidade, idade, doenças associadas, maior ou menor urgência, conforme avaliação da equipe cirúrgica e sempre com o conhecimento do receptor.

 

Posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?

Sim. O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar, que é interpretado por um médico. Não existe dúvida quanto ao diagnóstico.

 

Após a doação o corpo do doador fica deformado?

Não. O processo de retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra, restando apenas a incisão. O doador poderá ser velado normalmente.